PUBLICADO 27/05/2026
INDÚSTRIA DO TABACO FRUSTRA PRODUTORES EM REUNIÃO APÓS PROTESTOS NO RIO GRANDE DO SUL
Agricultores optaram por reter o produto nos galpões na expectativa de obter propostas melhores
Produtores de tabaco do Rio Grande do Sul mantêm a mobilização mesmo após o Sindicato Intermunicipal da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) sinalizar que não revisará os preços da atual safra. O impasse econômico motivou protestos pacíficos na região de Santa Cruz do Sul, onde agricultores de diversos municípios manifestaram insatisfação com a baixa remuneração e o aumento nos custos de produção.
Em entrevista nesta terça-feira (26), o diretor da Afubra, Marco Antônio Dornelles, disse que a insatisfação do setor produtivo ficou evidente durante a Expoagro Afubra deste ano, feira voltada ao setor agrícola. Embora o evento tenha registrado grande público, o volume de negócios fechados foi inferior ao do ano passado, reflexo direto da perda de poder aquisitivo do produtor.
“Na Expoagro, a gente teve um público excelente, uma programação muito boa, mas os produtores, em comparativo com a edição do ano passado, fizeram menos negócios”, afirma o dirigente, retratando a dificuldade financeira dos fumicultores.
De acordo com representantes da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o comércio local e o varejo regional já sentem os impactos do travamento das vendas.
Estimativas indicam que o Rio Grande do Sul comercializou menos de 55% da sua produção até o momento. Os agricultores optaram por reter o produto nos galpões na expectativa de obter propostas melhores. A indústria, por sua vez, alega que as condições do mercado internacional e a atual conjuntura cambial impedem reajustes na classificação das folhas de tabaco.
Outro ponto de atrito entre as partes envolve a metodologia aplicada para calcular o custo de produção, que registrou alta de até 12% nesta safra. A indústria contesta o modelo atual de levantamento, enquanto as entidades representativas defendem que o sistema adotado segue o padrão técnico utilizado em culturas tradicionais como soja e milho.
O Sinditabaco também apontou a existência de 100 mil toneladas de tabaco produzidas fora do sistema integrado, ou seja, sem contratos previamente firmados com as empresas fumageiras. As lideranças dos produtores reconhecem que há problemas pontuais de qualidade e conformidade no campo, mas reforçam que a sustentabilidade financeira das famílias depende de uma revisão urgente nas margens de lucro por parte das companhias.